Mosaic e UFSC: a ciência por trás da tradução em Libras do Librisense

Parceria com o Departamento de Libras da UFSC: entenda a metodologia, o motion capture e a validação acadêmica do Librisense.
Resumo executivo: A Mosaic AI Agency é parceira acadêmica exclusiva do Departamento de Libras da UFSC no desenvolvimento do Librisense, plataforma de tradução de texto e voz para Libras. O Censo 2022 do IBGE registra 2,6 milhões de pessoas no Brasil com dificuldade para ouvir mesmo usando aparelho auditivo. A parceria estrutura o Librisense em torno de curadoria linguística, motion capture e validação contínua por pesquisadores da própria universidade, antes de qualquer atualização chegar ao usuário.
Tecnologia de acessibilidade tem um problema recorrente: nasce da engenharia e esquece a língua. O resultado são ferramentas que traduzem palavra por palavra e entregam uma Libras artificial, que nenhum surdo reconheceria como natural.
A Mosaic decidiu inverter essa ordem. Antes de escrever uma linha de código de tradução, buscou o Departamento de Libras da UFSC (LSB/CCE), referência nacional em pesquisa linguística de Libras e berço do primeiro curso superior de Letras-Libras do país.
Esse artigo explica como essa parceria funciona na prática, por que ela importa para qualquer empresa ou órgão público avaliando ferramentas de acessibilidade, e o que muda quando ciência linguística entra antes da escala.
Por que tradução automática para Libras costuma falhar
Libras não é um código visual do português. É uma língua com gramática, sintaxe e fonologia próprias, reconhecida oficialmente pela Lei nº 10.436/2002 e regulamentada pelo Decreto nº 5.626/2005. Traduzir para Libras exige reorganizar a frase, não trocar palavra por sinal.
Ferramentas construídas só com engenharia de linguagem tendem a ignorar essa estrutura. Produzem sinalização que segue a ordem do português, com expressão facial genérica e sem os parâmetros fonológicos corretos (configuração de mão, ponto de articulação, movimento).
O problema não é falta de tecnologia. É falta de curadoria linguística acompanhando o desenvolvimento desde o início, e não como revisão de última hora.
Como funciona a parceria entre a Mosaic e o Departamento de Libras da UFSC
A Mosaic é parceira acadêmica exclusiva do Departamento de Libras da UFSC (LSB/CCE) para o desenvolvimento do Librisense. O projeto é coordenado pelo professor Rodrigo Rosso Marques, chefe do departamento, doutor em Educação pela UFSC e diretor do Departamento de Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).
Rosso também coordenou o Prolibras, exame nacional que certifica intérpretes e instrutores de Libras no Brasil, e o Enem em Libras, edição do exame traduzida para a língua de sinais. É um pesquisador que passou anos lidando com a lacuna entre política pública e prática real de tradução.
A etapa de captura de movimento acontece no Design Lab do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da UFSC, sob coordenação do professor Milton Luiz Horn Vieira. É lá que sinalizantes reais têm seus movimentos registrados para alimentar o modelo com dados fonologicamente corretos, não animação genérica.
Essa não é uma consultoria pontual, contratada para validar uma versão final. Cada atualização do Librisense passa pela revisão de linguistas e pesquisadores da própria universidade antes de chegar a quem usa.
O caminho de uma tradução, do texto ao sinal validado
Cinco etapas separam um texto em português de uma tradução em Libras publicada no Librisense. Cada uma delas tem um responsável técnico ou acadêmico definido.
- Curadoria linguística: pesquisadores do Departamento de Libras definem a estrutura gramatical correta para o contexto do conteúdo.
- Motion capture: sinalizantes reais gravam os sinais no Design Lab do CCE/UFSC, gerando dados de movimento com precisão fonológica.
- Modelagem pela Mosaic: o time técnico integra os dados capturados ao modelo de tradução, mantendo texto, voz e sinal sincronizados.
- Validação acadêmica: a UFSC revisa a saída antes de qualquer atualização ir ao ar, checando naturalidade e correção gramatical.
- Testes com a comunidade surda: falantes nativos de Libras avaliam a compreensão real, fechando o ciclo antes da liberação.
O tamanho da lacuna de acessibilidade em Libras no Brasil
O Censo Demográfico 2022 do IBGE registra 2,6 milhões de pessoas no país com dificuldade para ouvir mesmo usando aparelho auditivo, dentro de um total de 14,4 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência.
Do lado da oferta de profissionais, a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) estima cerca de 20 mil intérpretes de Libras cadastrados no Brasil inteiro. É gente demais precisando de acessibilidade para pouca gente formada para traduzir.
No Censo da Educação Básica 2023, o Inep contou 62.192 estudantes surdos ou com deficiência auditiva matriculados, e apenas 4.842 matrículas de estudantes surdos no ensino superior. A desistência entre um nível e outro mostra onde a barreira de comunicação pesa mais.
Tradução automática genérica vs. Librisense
A diferença entre uma ferramenta de tradução qualquer e o Librisense está na origem do dado que alimenta o modelo, e em quem valida a saída antes de publicar.
| Dimensão | Tradutor automático genérico | IA com validação pontual | Librisense (Mosaic + UFSC) |
|---|---|---|---|
| Origem do dado de sinal | Animação genérica ou avatar 3D | Banco de sinais comprado de terceiros | Motion capture com sinalizantes reais no Design Lab CCE/UFSC |
| Estrutura gramatical | Segue a ordem do português | Revisão manual eventual | Curadoria linguística contínua por especialistas em Libras |
| Quem valida antes de publicar | Ninguém, ou o próprio time de produto | Consultoria externa, sob demanda | Departamento de Libras da UFSC, em toda atualização |
| Teste com comunidade surda | Raramente ocorre | Ocorre no lançamento inicial | Ciclo contínuo, integrado ao processo de atualização |
Onde essa diferença aparece na prática
Pense num órgão público que precisa traduzir comunicados de saúde para Libras. Uma ferramenta sem curadoria linguística consegue produzir um vídeo com sinais, mas arrisca trocar o sentido de termos técnicos, como nome de doença ou dosagem de medicamento, por falta de contexto gramatical correto.
No fluxo do Librisense, esse mesmo comunicado passa pela curadoria do Departamento de Libras antes de ir ao ar. Um pesquisador com formação em Libras confirma se o sinal escolhido corresponde ao termo técnico da área de saúde, não a uma tradução literal da palavra em português.
É a diferença entre publicar rápido e publicar certo. Em comunicação de saúde, jurídica ou de serviço público, esse detalhe decide se a informação chega ou se gera mais confusão.
Perguntas frequentes
O que é o Librisense?
É a plataforma da Mosaic AI Agency para tradução de texto e voz em Libras, construída sobre uma metodologia proprietária desenvolvida em parceria acadêmica exclusiva com o Departamento de Libras da UFSC. O diferencial não é só o modelo de IA, é a validação linguística contínua por pesquisadores surdos e ouvintes.
Qual o papel da UFSC no desenvolvimento do Librisense?
O Departamento de Libras da UFSC (LSB/CCE) participa desde a base do projeto, com curadoria linguística, coordenação acadêmica e validação de cada atualização antes de chegar ao usuário final. É parceria estrutural, não uma consultoria pontual.
Quem coordena a parceria pelo lado da UFSC?
O projeto é coordenado pelo professor Rodrigo Rosso Marques, chefe do Departamento de Libras da UFSC, doutor em Educação pela própria universidade e diretor do Departamento de Ensino Superior do INES. A etapa de motion capture é conduzida no Design Lab do CCE/UFSC, sob coordenação do Prof. Milton Luiz Horn Vieira.
O Librisense usa apenas tradução automática de texto?
Não. O sistema combina modelos de tradução com dados de motion capture, movimento capturado de sinalizantes reais, para reproduzir Libras com parâmetros fonológicos corretos (configuração de mão, movimento, expressão facial), e não só a substituição de palavra por sinal.
Por que validação acadêmica importa tanto em tradução de Libras?
Porque Libras é uma língua com gramática própria, não um código visual do português. Sem curadoria linguística de especialistas, ferramentas automáticas tendem a produzir tradução palavra a palavra, que não corresponde à estrutura real da língua e pode gerar ambiguidade ou erro de sentido.
A Mosaic detém patente do Librisense?
O Librisense é construído sobre metodologia proprietária da Mosaic, com parceria acadêmica exclusiva com a UFSC para curadoria linguística e validação. A empresa não divulga detalhes de registro de propriedade intelectual publicamente.
Tecnologia de acessibilidade só funciona com ciência por trás
A Mosaic apostou na parceria com o Departamento de Libras da UFSC antes de escalar o Librisense. Isso significa curadoria linguística, motion capture com sinalizantes reais e validação contínua por pesquisadores, não só um modelo de tradução treinado às pressas.
Se sua empresa ou órgão público avalia ferramentas de acessibilidade em Libras, vale entender como cada fornecedor valida o que entrega. Fale com o time da Mosaic e conheça o Librisense de perto.
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Quem escreveu este artigo
Clóvis Barreto Jr. — advogado (LL.M. FGV) e palestrante de IA
Advogado especializado em Direito e Inteligência Artificial. Escreve sobre regulação, governança e riscos jurídicos da IA a partir da prática com empresas, indústria e conselhos.
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